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Quarta-feira, Março 31, 2004
[Lá de Cima] "Por que você não sai do telhado?", ela pergunta. Ele não responde. Ele prefere ficar lá sentado e olhando as poucas estrelas que ele pode ver no céu da cidade. É lua nova e está frio. O céu não tem uma nuvem sequer e ele pode ficar olhando, viajando de uma galáxia a outra apenas movendo o olhar. Primeiramente ele imagina, brinca de passear de estrela em estrela, olhando uma por uma. Depois se lembra da brincadeira de descobrir desenhos em nuvens. Aponta o dedo para o céu para fazer desenhos. Desiste, quando se lembra das verrugas. Ri da própria bobice e continua a viajar. "Você sabia que os telhados estão cheio de baratas?", ela provoca. Ele continua impassível. Mas a viagem acabou, ele volta a realidade. Ele se lembra que está na Terra. Ele se lembra que existem insetos. Ele se lembra que tá vivo. Ele se lembra de pessoas. Ele se lembra que, quando pequeno, ele vivia no telhado, já que sua casa ficava em uma rua movimentada e ela não o deixava sair para brincar. Então, ele driblava os cães e ficava no telhado, conversando com o amigo que morava na casa de trás. Este subia no telhado e então os dois ficavam brincando de Comandos em Ação. Quantos bonecos foram perdidos nas guerrinhas pela posse da caixa D'água. Ou então pelo demônio negro (o cachorro da vizinha macumbeira). Ou então tragado pelo abismo infernal, que eles bravamente pulavam para chegar em outro telhado. Lá, tinham acesso para outras casas, outras crianças, outros quintais, outras janelas e, consequentemente, acesso para mais um monte de histórias. "Cê não vai sair daí de cima mesmo, né?", ela se conforma. Ele olha para baixo. As lembranças da história do telhado disparam uma voz em sua cabeça dizendo "isso poderia dar um ótimo filme". Ele sorri e os olhos marejam. Pensa quão simples eram suas histórias antes e como a vida dele ficou pendurada em decisões difíceis agora. Como ele não tinha medo de pular os buracos, ele pulava. Óbvio, uma vez que ele nunca tinha se machucado no telhado. Mas a vida fez uns vergões nele e agora ele ficou com medo. E tem dúvidas quanto ao futuro. "Resolveu descer, é?", ela constata o óbvio. Ele só diz que tem que caminhar em frente, não importando os machucados que aparecerão. Mas diz que tá com medo, porque se machucou antes e não quer isso de novo. Ela o abraça, beija seu rosto e pede para que ele descanse. É o melhor que ele faz, pois ele não acredita em sofrer por antecipação. Mas gostaria de receber um telefonema para seu conforto. [o personagem dessa história acabou por desenvolver uma paixão por telhados. talvez por isso, um de seus clipes preferidos seja "disarm" dos smashing pumpkins]. Sexta-feira, Março 26, 2004
[Curto e Grosso] Da meia-noite até pouco antes das nove de hoje: - Oi eu sou de Piracicaba e tava passando... - Então continua andando... "Grosso", ele deve ter pensado. - O Dan já levantou da cama? - Já, não tá vendo eu aí no banheiro tomando banho? - gritando da cama. Grosso meu pai sabe que eu sou. - A passagem, por favor. Estico a mão com o passe, ela pega a nota de R$ 2,00 do cara e ao invés de pegar a minha, vai dar o troco. Então guardo a carteira (com o passe em mãos) nesse interím. Ela termina de dar o troco e volta, com voz imapaciente: - A passagem, por favor. - Agora se você quiser, espera! "Grosso", ela murmurou e foi pegar a passagem dos outros. Sou mesmo. E sei dar o troco. No metrô, enquanto eu pensava em blogar isso tudo, uma menina se posiciona em minha frente. Conto até cinco e aí tenho que falar: - Dá licença que o de baixo é meu? "Grosso", ela pode ter pensado. Mas pediu desculpas. Eu juro que já passou, que tô zen. Mas por via das dúvidas, não pise no meu pé. Eu e minha unha encravada e inflamada agradecemos [a resposta certa do post anterior é a c... minha mãe não é boca suja... hehehehe... só às vezes, claro... mas grosso que eu sou só atraio pessoas iguais... é só ver os comentários... hehehe...] Terça-feira, Março 23, 2004
[Hoje, No Café da Manhã] - Pergunta de conhecimento gerais: - ... - Pai! PAI! - É comigo? - É! Ó só: você compra um pãozinho francês de noite, certo? - Sempre compro cinco. - Tá, tantufaz! Ele tá quentinho, mas ninguém vai comer. Como você guarda? - No saco. - Você enrola o saco? - Que tipo de pergunta é essa? - Só responde: você enrola o saco? - Enrolo. - Com o pão quente dentro? - Claro! - Tá vendo? Por isso que murcha! - Da "Três Naus" não murcha, só se for da "Pérola". - Dá na mesma! - Então eu vou voltar a colocar na geladeira... - NÃO! - Por quê? - Porque vai ficar tão duro que eu não vou conseguir comer! - Então eu deixo aberto em cima da mesa? - Será que não é ruim? Vai que de noite... - No microondas, então? - ... - No fogão? - Mã, onde a gente deixa o pão? Respostas: a) E eu lá que vou saber? b) Na bunda de vocês. c) Eu não acredito que vocês estão discutindo por causa de pão. d) Todas as anteriores, inclusive nessa ordem! [e minha garganta vai pro saco com essa mudança de tempo... eu adoro frio, mas esse "choque térmico" é uma merda!] Sexta-feira, Março 19, 2004
[Mesmero] Como o fotolog está fora do ar até hoje de tarde, eu gastei meu rol de besteiras nas listas de discussão. Agora eu queria sentar e escrever um post daqueles, que a pessoa se comove e deixa um comentário que se identificou... Então... Sabe "cubo mágico"? Pense num cubo mágico flutuando.
Ele está com as faces todas desordenadas... Você agora é capaz de deixá-lo bonitinho... sem enconstar nele... Pense... Você o re-arranja com o pensamento... faz uma linha branca, uma linha vermelha uma linha laranja, uma linha amarela uma linha verde, uma linha azul outra linha laranja, outra vermelha, a segunda linha azul e a segunda linha branca uma face inteira fica branca e você faz a segunda linha amarela e outra verde... acaba conseguindo fazer uma face ficar inteiramente verde outra azul, outra laranja, outra amarela, desmancha duas faces, gira aqui e ali, elas voltam junto com elas, as faces vermelha e branca ficam inteiras... Então você relaxa. Você está satisfeito consigo mesmo. Você se sente feliz. Suas pálpebras relaxam mas não se fecham completamente... Quando eu terminar de contar até um, você estará mais sucetível aos meus impulsos bloguísticos... 3... 2... 1... Agora você está lendo um post. Um post emocionante. Apesar de nada de interessante estar escrito por aqui, você se identifica de tal forma que pensa que eu estou falando sobre sua vida. Estou conseguindo sua simpatia através de minha empatia. Você acha que Dan Zerø é o mais novo guru dos bloggers e que você deveria ler esse blog mais vezes pois ele estará sempre atualizado a seus olhos. Você se sentirá cada vez mais feliz. Eu vou contar agora até três e você acordará. Não se lembrará de nada do que eu escrevi e/ou do que pensou... Não se lembrará que foi hipnotizado... apenas ficará com uma vontade louca e irrefreável de voltar aqui mais vezes e deixar comentários para que Dan Zerø saiba que é amado, pois ele está bloguisticamente carente e precisando de motivações maiores para escrever. é um, é dois.... é TRÊS! [deu certo na tevê ontem... quem sabe dê certo aqui também...?] Sexta-feira, Março 12, 2004
[Trechos] Metrô Anhagabaú, na última terça-feira. Vagão vazio! Ieba! Sento-me e pego um livro para ler algumas páginas até a estação que eu desço. A Bianca vai acabar fugindo de casa. Porque o pai dela pegou ela ao telefone com o namoradinho. E, como um bom idiota, deu uma surra na menina porque era uma pouca vergonha ela, com 15 anos, estar saindo com um garoto de 13. A mãe dela que teve que separar. O prédio inteiro ficou sabendo, um bafafa só. A vó, que mora mais no Centro, quer ficar com a neta, não acha um ambiente saudável onde ela mora hoje. Se o pai bate na filha, eu também acho que não é. Pedro (ou Paulo, não me lembro) tá puto com o chefe. O cara (esse é Alexandre, lembro com certeza, porque era o nome de meu ex-chefe) pede trezentas coisas e tudo para ontem. Pedro (ou Paulo) reclama que seu estômago está doendo. Seu amigo diz que pode ser gastrite, mas ele descarta a hipótese falando que "nunca teve essa frescuiada, não ia ter agora com 30 e pouos anos nas costas". O seu amigo faz aquele suspiro de negação. Eu faço o mesmo. O casal (não me perguntem o nome) discute a prova de biologia (ou era geografia? Enfim, discutiam sobre uma prova). O cara estressa e diz que odeia ficar comparando gabarito porque depois que a prova foi feita, não tem como voltar atrás. Ela diz que não é possível que os dois vão discutir por causa disso e murmura se o marcar o casamento foi uma boa idéia. O cara se volta para ela, incrédulo (com toda a razão, na minha opinião), e pergunta se ela tá falando sério só por causa disso. Ela ri e diz que não, "você é que leva tudo a sério demais". Ele esboça um sorriso. Nisso, Winston passeia por entre os proles e passa diante da loja onde comprou o bloco de papel, o que é proibido em 1984. Mas, apesar de ele quase ter sido atingido por uma bomba, essa parte do livro tava chata e aí eu resolvi prestar atenção nas historinhas acimas, que são de pessoas ao meu redor no metrô. Todo mundo é uma historinha. Basta parar, olhar, escrever. E, se o caso, por que não embarcar na historinha de alguém para que ela faça parte da sua história? [isso porque eu falei que esse blog não cuidava da vida alheia... ha ha ha! pois é... "o grande irmão zela por ti"] Segunda-feira, Março 08, 2004
[Fora do Foco Principal] Engraçado que nesse fim de semana, nada do que teve destaque teve a ver comigo. Tipo assim, eu fiquei à margem dos acontecimentos. E isso é bom, até! Então como esse blog trata da minha vida e não da vida dos outros, não tenho assunto. [fazendo um adendo ao post anterior, eu esqueci de falar que quando eu espirro e ninguém responde, eu solto "saúde, amém, perto de mim não tem ninguém". estranho é eu falar isso sozinho nas ruas...] Sexta-feira, Março 05, 2004
[Atchim e Espirro] Não, não vou falar que eu fui ver o show do Atchim e do Espirro. Mesmo porque eu não tirei fotos com os palhaços, então não tem como provar que eu fui lá. Nem dá pra provar que eu fui ao circo um dia aí que o GATE tava na porta de casa desarmando uma bomba. Enfim, fevereiro foi um mês deveras circenses, incluindo aí uns malabarismos para dar um jeito aqui e ali. Mas não é sobre isso que eu estava pensando em falar. O lance é: quando eu espirro, eu espirro. Assim, com vontade mesmo. Se um dia você me ver parado na rua olhando para cima em direção ao sol, pode apostar que eu quero espirrar. E vai ser um senhor espirro. Porque o espirro é para isso mesmo, para "eliminar vírus e bactérias do seu organismo". É um reflexo: alguma coisa irrita seu nariz e você espirra para se livrar dele. Mas o que me irrita é quem segura o espirro. Para que esse egoísmo? Ok, não que alguém queira seus germes - longe disso -, mas o que uma pessoa dessa quer? Colonizar seu nariz com vírus e bactérias? Com ácaros? Para ver quantos você consegue juntar antes que eles ataquem seu pulmão? O problema é que não é bem visto espirrar em público. As pessoas têm de aprender que espirrar é normal! Não é falta de educação espirrar. É sabido que algumas pessoas têm traumas de espirrar em público por algumas situações embaraçosas que previamente protagonizaram ou presenciaram. Mas, sem cairmos no campo escatológico, não há nada de nojento ou deselegante em espirrar. Aí vem a Etiqueta - Beleza Cristã e sentencia: "Não dá para segurar o espirro? Coloque a mão em concha sobre o nariz e os lábios e tente espirrar sem fazer barulho, mantendo a boca fechada. Caso seja imprescindível assoar o nariz durante a refeição, procure fazer o mínimo de ruído e cubra a mão direita, que estará com o lenço, com a esquerda (ou ao contrário, se for canhota). Quem espirra deve pronunciar, em voz baixa e de forma discreta, um breve e simples 'desculpe'". Não vou comentar o absurdo do lance da mão correta segurando o lenço (mesmo porque isso não impede que as gotículas contaminadas passem para o ambiente), mas espirrar de boca fechada não dá! Ou seja, pau no cu dessas tiazinhas. Uma dica preciosa: tá com vontade de espirrar e acha que não pode? Comprima (no sentido de apertar forte mesmo) as narinas na região do nariz mais próxima aos olhos e os impulsos do espirro se vão. Sim, a vontade vai voltar porque você não espirrou e algo ainda está te irritando, mas dá para você postergar até um banheiro, seu chato de galocha. Nunca segure, tampouco, pois você pode estourar um tímpano, uma veia no cérebro ou outras coisas que sempre alguém tem um conhecido de um amigo do sogro do cara que é casado com a irmã da mulher do seu primo que tenha presenciado e jura de pé junto que é verdade. Para finalizar, a Etiqueta - Beleza Cristã (....) diz que "não é correto dizer 'saúde'. O espirro é um daqueles chamados incidentes de conversação. A melhor atitude é fingir que nem o notamos.". Eu sempre falo saúde. Eu acho isso educado da minha parte, passando a impressão (correta) que eu nem ligo que a pessoa esteja espirrando e eu espero que ela melhore. E odeio quando não falam para mim. Antigamente usavam muito "Deus te abençõe", "Deus te crie" ou até "abençoado seja" (você, não o espirro) porque achavam que o ato era sinal de expulsão de demônios do corpo. [eu costumava falar "Deus te leve" e o povo achava ruim. aí eu dizia "vá para onde o diabo te carregue" e achavam pior ainda... enfim... ninguém tá contente!] |